6 março, 2007

tchau. volto para o blogger.

Henfil e seu alter-ego, o Baixim

21 fevereiro, 2007

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Este texto escrevi para o extinto projeto Pastilhas Coloridas. 

Baixim, o Alter-Ego de Henfil
Um dos principais lançamentos editoriais do ano foi o primeiro volume da antologia O Pasquim (Editora Desiderata), que cobre os iniciais três anos do jornal humorístico, que estreou nas bancas do país em 1969. Essa publicação traz para as novas gerações uma boa amostra do que foi o revolucionário hebdomadário, que, com fina inteligência e inesgotável ironia, esculhambava o que havia a ser esculhambado no país (inclusive os próprios integrantes da boêmia equipe de loucos que o produzia). Figuras limiares da nossa cultura brilharam em suas páginas, como Gláuber Rocha, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Otto Maria Carpeaux, Ferreira Gullar, entre tantos outros, somente nesses primeiros anos. E um dos artistas, que não ficava menor entre esses grandes, e que marcou a existência do semanário ipanemense, foi Henfil, junto à sua memorável dupla de fradinhos, o Baixim e o Cumprido.

Pouco se precisa dizer sobre o desenho de Henfil. É só vê-lo, e se encantar com a cinergia que emana desses traços furiosos, beirando o minimalismo. Mas muito há de se dizer sobre essa terrível figura, talvez sua maior criação, o fradinho Baixim. É um pequeno sacana, sádico, tão sádico que transforma seu masoquismo em sadismo, e que, sempre acompanhado do seu companheiro Cumprido, modelo do clérigo comum, pretensamente bondoso e correto, mas que tem sua hipocrisia desnudada pelo colega, que não perdoava uma oportunidade de mostrar quem ele e outras figuras da sociedade eram, sempre se utilizando de sua sádica ironia.
 O que Henfil pretendia era bagunçar, e o fez com maestria através do riso, não só o riso que arranca de quem o lê, ou a sua própria e mais íntima gargalhada enquanto com nanquim dava vida aos fradinhos, e sim principalmente com o riso que fazia brotar do Baixim quando este realizava suas “maldades”. O riso aflorava no personagem não pela brincadeira em si, mas de seu resultado, quando via desarmada a vítima, sem a máscara que carregava no início da tirinha. E, efeito dominó, milhares (se não milhões) de outras máscaras caíam pelo país adentro. Baixim rindo era Henfil rindo. Como bem cantou Jorge Ben em sua clássica homenagem ao Pasquim: “o Henfil sofre um problema patológico, ele próprio é o Fradinho Baixinho”.

Ciente de seu imenso talento, o quadrinhista mineiro, aproveitando sua estada nos Estados Unidos para tratar de sua hemofilia, tentou publicar seus trabalhos pelos Syndicates, firmas que distribuem tiras para os jornais. E consegue. É contratado pela Universal Press Syndicate. Seu diretor, Garry Trudeau (Doonesburry), prevê o sucesso de Henfil. Apenas dois meses depois, a tira é cancelada. A tira era intitulada Bad Monks, nome que levaram os Fradinhos em terras ianques. Cumprido, nessa curta encarnação, chamava-se King Size, e o nosso Baixim foi rebatizado com o nada simpático nome de Runt. O público achou a série marginal em excesso, sem modos, anti-americana, depravada… Era um tipo de humor que caía bem ao lado de Robert Crumb (Fritz the Cat) ou Gilbert Shelton (Freak Brothers), em uma revista underground ou de vanguarda. Não tinha como ficar entre uma tira do Fantasma e outra do Flash Gordon.

Aqui ele também sofreu censura, mas o público soube aceitá-lo, assim como aceitou anos depois o humor igualmente ácido e sem concessões de Angeli (Chiclete com Banana) e Glauco (Geraldão), que colocavam diariamente em nossos jornais (inclusive em nossa ilustre ilha!) personagem nus, de pau duro e seringas fincadas em todo o corpo, ou uma mulher bagaceira mostrando o sexo para quem quiser e entornando álcool sem ter pena do próprio fígado.
Como não há coletâneas de Henfil em livrarias, somente caçando em sebos pode-se achar alguma edição da revista Os Fradinhos, que editou nos anos 70, ou outra publicação com seus outros clássicos personagens (Graúna, Ubaldo), adquirir a antologia Pasquim é uma boa pedida, para quem se interessa em quadrinhos conhecer esse que talvez seja nosso mais talentoso quadrinhista. E para quem não se interessa, mas comprou pela legenda que é o jornal, prestar mais atenção ao artista e sua poderosa criatividade.

Hanna-Barbera

13 fevereiro, 2007

Vejam este excelente artigo de Diogo Mainardi sobre a Hanna-Barbera… Como de costume, o cara vem com verdades tão óbvias que ninguém percebia. 

Diogo Mainardi
Os cães de gravata

“Há fases em que a humanidade melhora e há
fases em que ela piora. Nada representa com
tanta clareza o barateamento intelectual do
nosso tempo quanto os desenhos animados
de Hanna-Barbera”
Cada um escolhe seu próprio inimigo. O meu morreu no mês passado, aos 95
anos. Era Joseph Barbera, um dos fundadores dos estúdios Hanna-Barbera. No
começo de janeiro, morreu também um de seus principais colaboradores, Iwao
Takamoto, criador do Scooby-Doo. Estou com sorte. Livrei-me de dois inimigos
em menos de um mês.

Atribuo grande parte do meu fracasso pessoal aos desenhos animados de
Hanna-Barbera. O fato de ter assistido a todos os episódios dos Herculóides,
da Tartaruga Touché e dos Flintstones comprometeu meu futuro. O dano causado
por horas e horas de Space Ghost, de Wally Gator e de Jonny Quest foi
definitivo. Muitas de minhas falhas intelectuais e de personalidade podem
ser imputadas a eles. De nada adiantou ler Montaigne mais tarde. No deserto
mental provocado por Frankenstein Júnior, pelos Irmãos Rocha e pela Formiga
Atômica, Montaigne simplesmente não frutifica.

Até a década de 1960, um episódio de Tom e Jerry ou de Pernalonga era feito
com algo entre 25.000 e 40.000 desenhos. Joseph Barbera e seu sócio bolaram
um jeito de produzir suas séries com menos de 2.000, abatendo seus custos. A
técnica recebeu o nome de “animação limitada”. Os personagens permaneciam
estáticos. A única parte de seu corpo que se movia era a cabeça, que pulava
compulsivamente da direita para a esquerda, ora com a boca fechada, ora com
a boca aberta. Para facilitar o corte, todas as figuras tinham o pescoço
encoberto por um colarinho ou por uma gravata. Nos desenhos da
Hanna-Barbera, sempre há um cachorro de gravata, um super-herói de gravata,
um dinossauro de gravata.

As paisagens sofreram o mesmo tratamento reducionista. Os personagens dos
desenhos de Hanna-Barbera habitam um mundo claustrofobicamente circular. De
dois em dois segundos eles passam pela mesma pedra, pelo mesmo veículo
espacial, pelo mesmo homenzinho careca e bigodudo de terno azul. A angústia
de pertencer a um universo que se repete continuamente só é superada pelo
fato de que ninguém se dá conta disso. Maguila, Simbad Júnior e os Brasinhas
do Espaço parecem desprovidos de memória. As tramas também se repetem de uma
série para a outra. Muda apenas o mote de cada personagem, a sua frase
característica, como “Saída pela esquerda”, “Shazam!” ou “Oh, querida
Clementina”, recitada por um mau dublador.

Joseph Barbera e Iwao Takamoto empobreceram minha vida. Assim como
empobreceram a vida de todos os meus contemporâneos. Há fases em que a
humanidade melhora e há fases em que ela piora. Nada representa com tanta
clareza o barateamento intelectual do nosso tempo quanto os desenhos
animados de Hanna-Barbera. Cada quadro economizado por eles significou para
nós uma idéia a menos, um pensamento a menos, uma sinapse a menos. Os
pioneiros de Hanna-Barbera acabam de morrer, mas nossa época está
irremediavelmente perdida. O único consolo é que esquecemos a miséria em que
vivemos de dois em dois segundos.

Trirolhinhas

11 fevereiro, 2007

Trirolhas 05

Clique na figura para ampliá-la.

Esta tirinha sem-vergonha sairá no Inúteros 13 (oh número fatídico). A colorização (muito melhor que as que eu faço) foi produzida por Rafael Rosa.

olá

10 fevereiro, 2007

Assassinas Paranormais 1

Este é um post-teste. Quero ver se isso aqui é melhor que o blogger.


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